D. António Marto aos Embaixadores junto da Santa Sé

Mensagem de Fátima continua atual e é fonte de inspiração para toda a Igreja

A Mensagem de Fátima continua atual, cem anos depois, e sobretudo continua a ser necessária, pois dá-nos um “programa espiritual e pastoral para a evangelização, desta vez na companhia e sob a proteção do Coração Imaculado de Maria”, afirmou hoje o bispo de Leiria-Fátima em Roma.

D. António Marto, que falava sobre a Mensagem de Fátima aos embaixadores de língua portuguesa e espanhola acreditados na Santa Sé, numa conferência realizada na Embaixada de Portugal junto do Vaticano, sublinhou que os anúncios e os pedidos da Virgem Maria aos Três Pastorinhos permanecem válidos.

Porque, explicou, hoje continua a ser necessário anunciar a Graça e a Misericórdia de Deus, bem como a Esperança e a Paz, pedir a conversão e a oração, a reparação dos pecados e das ofensas e, também, apelar à não resignação à banalidade do mal e à fatalidade.

Por isso, adiantou, o “abandono total a Deus, através da consagração do Imaculado Coração de Maria, pedida em Fátima, constitui uma fonte de inspiração para toda a Igreja”.

Recordou que “a sombra brilhante de Fátima” abrange o século XX, “talvez o século mais cruel e sangrento da história” e é neste quadro trágico que a Virgem Maria aparece em Fátima “como uma visão de paz e uma luz de esperança para a Igreja e para o mundo”.

“Provavelmente, só hoje, depois de quase um século, estamos em posição de compreender mais profundamente a verdade, a riqueza e toda a extensão desta mensagem”, referiu, sublinhando que “é possível vencer o mal, a partir da conversão do coração a Deus pela oração e reparação do pecado humano”.

 

Recentrar a Igreja no ato de adoração a Deus

Nesse sentido, D. António Marto destaca alguns dos aspetos da Mensagem de Fátima e sua relevância para os dias de hoje, como a “afirmação da primazia de Deus”, uma das caraterísticas essenciais: “fazer regressar o ato de adoração a Deus ao centro da vida da Igreja e do mundo, em contraste com o ambiente de perseguição e, hoje, de ateísmo da indiferença religiosa”.

O apelo à conversão e à reparação, à oração, especialmente a recitação do Terço, o compromisso com a Paz, a compaixão pelo sofrimento, a devoção ao Imaculado Coração de Maria, a abertura à comunhão católica, através da unidade em torno do Papa, são outros dos aspetos fundamentais da atualidade da Mensagem de Fátima recordados por D. António Marto.

Citando João Paulo II, o bispo de Leiria-Fátima acentua que a “mensagem é destinada especialmente para os homens do nosso século marcado pela guerra, ódio e violação dos direitos humanos fundamentais, o enorme sofrimento de homens e nações, e, finalmente, a luta contra Deus, até ao ponto negação de sua existência".

Uma missão profética que seria um erro pensar que esteja concluída, acrescentou, recordando palavras de Bento XVI, o qual sublinhou a “promessa consoladora” deixada pela Virgem aos três videntes: "No final, o meu Imaculado Coração triunfará ..." .

"No final, o Senhor é mais forte do que o mal e Nossa Senhora é a garantia visível, materna da bondade de Deus, que é sempre a última palavra na história ", disse o agora Papa emérito em Fátima (2010).

D. António Marto faz notar o modo semelhante como conclui o Evangelho de S. Lucas, ao relatar a Ascensão de Jesus ao céu, com a parte final da descrição da última Aparição de Nossa Senhora em Fátima, a 13 de outubro de 1917:

“A misericórdia de Deus continua a abraçar o mundo como uma bênção "(Eloy Bueno) Esta é a razão profunda da nossa esperança para a Igreja e para o nosso mundo!”, concluiu.

O Cardeal Angelo Sodano, antigo Secretário de Estado do Vaticano e atual Decano do Colégio dos Cardeais, fez igualmente uma intervenção, na qual sublinhou que a Mensagem de Fátima é um "convite à esperança", além de "convite à conversão".

Na sessão estiveram presentes, entre outros, D. Carlos Azevedo, membro do Pontifício Conselho para a Cultura, bem como vários sacerdotes portugueses com funções na Cúria Romana, como o Mons. José Avelino Bettencourt, chefe do Protocolo da Secretaria de Estado, o Pe. José Esteves, reitor do Pontifício Colégio Português, e o Pe. Saturino Gomes, do Tribunal da Rota Romana, além do cónego António Rego.

Esta quinta-feira, o bispo de Leiria-Fátima estará no Instituto de Santo António dos Portugueses, em Roma, onde falará para o público em geral, durante a sessão de apresentação do livro do cónego António Rego “Fátima, sou peregrino”, editado pelas edições Paulinas.

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